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Quais cuidados éticos tomar ao utilizar IA para organizar registros clínicos?
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Quais cuidados éticos tomar ao utilizar IA para organizar registros clínicos?

A inteligência artificial (IA) vem ganhando espaço na rotina dos profissionais de Psicologia, oferecendo recursos que podem auxiliar na organização clínica. Quando utilizada de maneira responsável, essa tecnologia pode contribuir para otimizar tarefas administrativas e facilitar a documentação do trabalho clínico.

Entretanto, quando envolve informações de pacientes, seu uso exige atenção redobrada. Os registros psicológicos contêm informações íntimas e, muitas vezes, dados pessoais sensíveis. Por isso, a praticidade proporcionada pela tecnologia deve estar sempre acompanhada de responsabilidade ética, proteção de dados e supervisão profissional.

Mas, afinal, quais cuidados o psicólogo deve tomar ao utilizar a inteligência artificial para organizar seus registros clínicos?

Preserve o sigilo e a confidencialidade das informações

Antes de utilizar uma ferramenta, o profissional deve verificar sua política de privacidade, suas condições de armazenamento, quem pode acessar os dados e se as informações inseridas podem ser utilizadas para outras finalidades, como o treinamento de modelos de inteligência artificial.

Sempre que possível, evite inserir dados que identifiquem diretamente o paciente, como nome completo, CPF, endereço, telefone ou outras informações desnecessárias para a tarefa. A simples retirada do nome, entretanto, não garante o anonimato, pois a combinação de detalhes pode permitir a identificação da pessoa.

A escolha da ferramenta deve considerar se ela oferece condições adequadas de segurança e confidencialidade para o tratamento de informações clínicas.

Tenha cuidado com a inserção de dados pessoais e sensíveis

A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) classifica os dados referentes à saúde como dados pessoais sensíveis. Isso significa que seu tratamento exige cuidados específicos e uma base legal adequada, conforme as circunstâncias.

Na prática, antes de utilizar a IA para organizar informações clínicas, o psicólogo deve avaliar quais dados são realmente necessários para a finalidade pretendida e evitar o compartilhamento excessivo de informações.

Também é importante compreender que utilizar uma ferramenta gratuita, paga ou integrada a uma plataforma profissional não elimina a necessidade de verificar suas condições de tratamento de dados.

Mantenha a autonomia e a responsabilidade profissional

O uso da IA não transfere para a tecnologia a responsabilidade pelas decisões tomadas no exercício da Psicologia. A avaliação das informações, a escolha das intervenções e a elaboração dos registros continuam dependendo do conhecimento técnico, do raciocínio clínico e do julgamento ético do profissional responsável.

Isso significa que o psicólogo não deve aceitar automaticamente sugestões, interpretações ou hipóteses produzidas pela ferramenta, especialmente quando envolvem aspectos complexos do funcionamento psicológico, hipóteses diagnósticas ou decisões sobre a condução do tratamento.

O Conselho Federal de Psicologia, em seu posicionamento sobre inteligência artificial na prática psicológica, destaca a importância de uma utilização crítica, com discernimento ético e supervisão profissional.

Como utilizar a IA de maneira responsável na rotina clínica?

Uma forma prudente de incorporar a inteligência artificial à prática psicológica é começar por tarefas de apoio à organização da escrita, mantendo o profissional no controle de todas as etapas.

Por exemplo, a IA pode auxiliar na estruturação de anotações previamente elaboradas, na correção gramatical e na organização de informações em tópicos ou campos de um registro. Para isso, o profissional deve utilizar apenas os dados necessários, escolher ferramentas adequadas à confidencialidade exigida e revisar cuidadosamente o resultado.

Também é recomendável estabelecer critérios para o uso da tecnologia na rotina profissional, incluindo quais tarefas podem ser auxiliadas pela IA, quais informações podem ser processadas e como os registros finais serão conferidos e armazenados.

Quanto maior o impacto potencial da ferramenta sobre a interpretação clínica ou as decisões profissionais, maior deve ser o cuidado com a supervisão, a validação e a avaliação de seus limites.

Referências

Conselho Federal de Psicologia (CFP). Inteligência Artificial na Psicologia: guia para uma prática ética e responsável: https://site.cfp.org.br/publicacao/inteligencia-artificial-na-psicologia-guia-para-uma-pratica-etica-e-responsavel/?utm_source

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